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Arvoredo Brasil - Instituto Agroflorestal

5/03/2012

Vendas de produtos orgânicos crescem e preços tendem a cair

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O faturamento com produtos orgânicos cresce mais no Brasil do que nos maiores mercados de alimentos e bebidas do mundo. Para receber essa classificação, o alimento ou a bebida precisam ser produzidos sem agrotóxicos, cultivados com manejo sustentável do solo e da água e respeito ao ecossistema local. Segundo estimativas preliminares da consultoria Euromonitor, aumentou 9,8% em 2011 o valor total das vendas de alimentos processados e bebidas orgânicas no país, depois de uma alta de 40,6% em 2010. Nos Estados Unidos, as receitas subiram apenas 5,7% e na Europa Ocidental, 4,3%, o que também permitiu ao Brasil crescer o dobro da média mundial (5,5%).

Sem considerar a venda de frutas, legumes e verduras, a Euromonitor estimou que foram vendidos US$ 109,9 milhões em orgânicos no ano passado, sendo US$ 89,5 milhões em alimentos processados e US$ 20,4 milhões em bebidas como café, sucos e chás.

É uma evolução lenta, com produção ainda em pequena escala, já que o faturamento total do mercado brasileiro de alimentos processados chegou a US$ 115,7 bilhões e o de bebidas leves, US$ 24,3 bilhões. Ou seja, os orgânicos representavam menos de 1% das vendas.

Mas segundo especialistas e varejistas, a popularização dos orgânicos vai ajudar a reduzir a diferença de preços entre eles e os produtos convencionais.

A Euromonitor estima que orgânicos são, no geral, de 60% a 100% mais caros do que convencionais. Mas espera que essa distância caia para algo em torno de 30% a 40%. E prevê que a venda de comida orgânica experimente um crescimento de 41% entre 2010 e 2015, puxada por biscoito orgânicos.

Supermercados querem tirar de orgânicos imagem de ‘ruins para o bolso’

Nos supermercados, além de reservar gôndolas específicas para os orgânicos, a meta é fazer com que eles deixem de ser conhecidos como “bons para a saúde” e “ruins para o bolso”.

“Queremos terminar com o estigma de que o produto orgânico é 100% mais caro que o convencional . Os produtos de hortifruti ainda são 40% mais caros que os convencionais, as carnes, com preços 36% superiores. Já os de mercearia, como açúcar, farinha e barrinhas de cereal já conseguem ser bastante atrativos e alguns até mesmo mais baratos”, afirma o gerente comercial de orgânicos do Grupo Pão de Açúcar, Marcos de Freitas.

Segundo Freitas, em 2011, os produtos orgânicos vendidos nas lojas do grupo em todo o Brasil corresponderam a R$ 86 milhões em valor de vendas e a previsão é que, neste ano, totalizem R$ 110 milhões.

A rede americana Walmart revende orgânicos de 451 famílias no Brasil e diz que certifica a autenticidade dos hortifrutigranjeiros adquiridos diretamente dos produtores. Gerente de agronegócios do grupo, Ari Biondo espera ver aumentar a oferta nos próximos anos e, assim, reduzir a diferença de preços:

“Existe uma conscientização mundial para consumir orgânicos, não só no Brasil. Contribui para isso a redução de custos, já que o consumo limitava-se à classe de poder aquisitivo mais alto”.

Preço maior ainda é barreira ao consumo

Os preços ainda são a principal barreira para aumentar as vendas de orgânicos na classe média brasileira. Na classe C (renda média familiar de R$ 1.024 a R$ 2.565), faixa que abriga a metade da população brasileira, apenas 12,3% dos domicílios compraram orgânicos ao menos uma vez na semana da entrevista, no fim de 2010, segundo pesquisa com 802 adultos da consultoria Market Analysis

O consumo ainda é mais popular nas classes A e B, em que 30,6% das famílias compraram esse tipo de produto na semana da entrevista, ainda de acordo com a pesquisa.

“A grande alavanca da compra de orgânicos é a busca de alimentos livres de agrotóxicos. Obviamente o produto vai ficar mais competitivo e permite esse crescimento”, diz Fabián Echegaray, diretor da Market Analysis e responsável pela pesquisa.

Empresário da região serrana quer abastecer hotéis para Copa e Olimpíadas

O empresário Dick Thompson, do Sítio do Moinho, em Itaipava, que faz entregas em domicílios e ainda abastece de orgânicos cerca de 40 restaurantes no Rio, não acha que será com um preço menor que os orgânicos cairão no gosto popular. Ele lembra que produtores de orgânicos utilizam maior quantidade de mão de obra, têm escala inferior a produtores tradicionais e ainda têm de pagar pela certificação nos órgãos responsáveis todos os anos.

“Eu pessoalmente acho que não vai acontecer nunca (de os preços se igualarem) “,afirma.

O Sítio do Moinho já tem uma loja própria no Leblon e pretende investir na ampliação de pontos de venda, com outra loja que deve ser inaugurada na Barra da Tijuca no primeiro semestre deste ano.

Outra aposta é o abastecimento de hotéis: um território ainda inexplorado pela empresa. Segundo Thompson, eventos como a Rio 20, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 despertam o interesse de hotéis de oferecer pratos orgânicos, sobretudo, para atender à demanda de clientes estrangeiros mais exigentes com a saúde.

Para ele, desde o início do negócio, há cerca de 20 anos, o que mais evoluiu no mercado foi a conscientização do consumidor.

“As pessoas entendem que é um consumo diferenciado, mais nobre, sem pesticida ou agrotóxico. O produto custa mais, mas não acho que deva ser considerado como caro”, “afirma.

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